
Um Sacerdócio Real
Por que direito nos tornamos “um sacerdócio real”? Pelo direito da expiação, que nos é dada como um dom absoluto. Estamos prontos para aceitar esse presente, deixar de lado todas as preocupações conosco mesmos e nos dedicar à obra sacerdotal da oração intercessória?
Começar a obra da oração intercessória é tirar o foco de nós mesmos. A busca interminável e autocentrada para descobrir se somos aquilo que deveríamos ser produz um tipo mórbido de cristianismo, e não a vida simples e vigorosa do filho de Deus. Enquanto não entramos em um relacionamento correto com Deus, estamos sempre nos perguntando se fizemos o suficiente para conquistar o seu favor, e nossas orações se voltam para preocupações com a nossa própria salvação.
Nessa mentalidade não há nada do milagre da redenção. Precisamos nos lançar com ousadia na convicção de que a redenção está completa. Jesus Cristo já nos salvou; não precisamos pedir que Ele faça isso novamente. Se realmente cremos que nossa salvação já foi realizada, deixaremos de lado as preocupações conosco e faremos como Jesus disse: oraremos pelo amigo que vem a nós à meia-noite, oraremos pelos fiéis, oraremos por todos (Lucas 11:1–13; 1 Timóteo 2:1–4). Oraremos com a consciência de que somos perfeitos somente em Cristo Jesus, não com o argumento: “Ah, Senhor, fiz o meu melhor; por favor, ouve-me.”
Quanto tempo levará para que Deus nos liberte do hábito mórbido de pensar em nós mesmos? Precisamos nos cansar profundamente de nós mesmos, até não nos surpreendermos mais com nada do que Deus possa nos mostrar a nosso respeito. Se examinarmos a nós mesmos na esperança de descobrir quão profunda é a nossa depravação, estaremos procurando para sempre: a profundidade do pecado dentro de nós é tão grande que jamais poderemos sondá-la. Há apenas um lugar em que estamos certos, e esse lugar é em Cristo Jesus.


