
Domingo, dia 02: Seguir a Cristo
Quando a gente fala de missão, serviço a Deus ou viagem missionária, é muito comum pensar em capacidade, talento e preparo. A pergunta costuma ser: “Eu sou bom o suficiente?” ou “O que eu tenho para oferecer?”.
Ao escrever aos coríntios em 2 Coríntios 11, Paulo vira essa lógica de cabeça para baixo. A partir do versículo 16, ele começa a falar do que chama, quase com ironia, de seu “motivo de orgulho”. É como se ele estivesse apresentando um currículo. Só que, em vez de listar conquistas impressionantes, ele lista sofrimentos, fraquezas e situações difíceis.
Paulo diz que trabalhou muito, esteve em prisões, levou açoites, foi apedrejado, sofreu naufrágios, passou fome, sede, frio e perigo de morte. Aos nossos olhos, isso não parece um currículo de sucesso; parece uma coleção de derrotas. Mas o que Paulo está mostrando é que sua autoridade e seu ministério não foram construídos sobre conforto, fama ou facilidade, e sim sobre disposição. Ele não estava disponível apenas quando era seguro, quando era bem recebido ou quando tudo dava certo. Ele estava disponível mesmo quando seguir a Cristo custava caro.
Isso nos ensina que disposição não é dizer “eu consigo fazer tudo” ou “eu sou o melhor para isso”. Disposição é dizer: “Eu vou, mesmo que seja difícil. Eu continuo, mesmo que seja cansativo. Eu obedeço, mesmo que não seja do meu jeito.” Para os adolescentes, isso pode significar servir mesmo quando a vontade é ficar no celular, descansar ou só ficar com os amigos. Para os jovens, pode significar deixar a agenda ser interrompida, abrir mão do conforto e servir mesmo quando o corpo está cansado e a mente cheia de preocupações.
Paulo não se gloriava em seus talentos, mas na graça de Deus que o sustentava em meio às fraquezas. Ele sabia que não era forte o tempo todo, mas era dependente. E é isso que faz a diferença na obra de Deus. O Senhor não está à procura apenas de pessoas cheias de habilidades, mas de corações disponíveis. Gente que diga: “Deus, talvez eu não seja o mais experiente, o mais comunicativo ou o mais preparado, mas eis-me aqui. Pode me usar.”
Numa viagem missionária, essa disposição aparece de forma muito prática. Ela aparece quando você ajuda sem ser visto, quando faz algo que não era “sua função”, quando tem paciência com alguém difícil, quando serve mesmo cansado, quando escolhe orar em vez de reclamar. Talvez ninguém aqui vá passar pelos sofrimentos que Paulo descreveu, mas todos teremos oportunidades de morrer para o nosso conforto, para o nosso orgulho e para a nossa vontade.
A grande pergunta, então, não é “quais são seus talentos?”, mas “seu coração está disponível?”. Se Deus fosse escrever hoje um currículo espiritual sobre você, o que apareceria mais: suas habilidades ou sua disposição em obedecer? Que nesta viagem cada um possa fazer uma oração simples e sincera: “Senhor, eu não sou perfeito, mas estou disponível. Usa minha vida. Leva-me aonde o Senhor quiser, e faz de mim instrumento do teu amor, independente das circunstâncias e desconfortos, em nome de Jesus, amém.”
Autor: PH Rangel
Categoria: evangelho