
Sábado, dia 01: Santidade
Em 2 Coríntios 6:14–18, Paulo escreve: “Não se ponham em jugo desigual com os descrentes” (2Co 6:14). Muitas vezes esse texto é usado apenas para falar sobre relacionamentos amorosos, mas o contexto é bem maior. Paulo está falando de alianças, influências e estilos de vida que nos prendem a algo que puxa na direção contrária da vontade de Deus. Ele continua perguntando: “Como pode a justiça ser parceira da maldade? Como pode a luz conviver com as trevas?” (2Co 6:14).
A imagem do jugo vem da agricultura. Dois bois eram presos ao mesmo jugo para puxar o arado. O jugo une, conecta forças e define direção. Se cada um quiser andar para um lado, o trabalho não anda. A ideia de Paulo é clara: cuidado com aquilo que prende seu coração, sua mente e suas escolhas a um caminho que não é o de Cristo!!
Quando pensamos em uma viagem missionária, isso se torna ainda mais sério. Missão não é só fazer algo para Deus; é representar Deus. Logo depois, Paulo lembra quem nós somos: “Pois somos o templo do Deus vivo” (2Co 6:16). Isso significa que não carregamos apenas mochilas e malas, carregamos a presença de Deus na nossa vida. E ele reforça com a promessa do Senhor: “Habitarei e andarei no meio deles. Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (2Co 6:16).
O problema do jugo desigual, nesse sentido, não é apenas “com quem eu namoro”, mas com o que meu coração está amarrado. Pode ser um grupo de amigos que sempre puxa você para longe de Deus. Pode ser um tipo de conteúdo que enche sua mente de coisas que não combinam com santidade. Pode ser um hábito escondido, um pecado já normalizado, uma vida dupla, uma na igreja e outra quando ninguém está vendo. Paulo ainda pergunta: “Que harmonia pode haver entre Cristo e o diabo?” (2Co 6:15). A ideia é que há coisas que simplesmente não combinam com quem pertence a Jesus.
Isso não significa se afastar das pessoas que ainda não conhecem a Cristo, afinal, vamos justamente para alcançá-las. A diferença é entre amar e servir pessoas e se deixar moldar por valores que nos afastam de Deus. Jesus andava com pecadores, mas não vivia como eles. Ele influenciava, não era influenciado.
Para uma viagem missionária, isso é essencial. Se estou preso a coisas que me afastam de Deus, minha sensibilidade espiritual diminui. Fica mais difícil ouvir a voz de Deus, ter compaixão verdadeira e autoridade espiritual em oração. Santidade não é ser “certinho” para parecer melhor que os outros; é estar limpo por dentro para que Deus possa fluir através de nós.
Por isso Paulo termina com um chamado forte: “Portanto, afastem-se e separem-se deles, diz o Senhor” (2Co 6:17) e também “Não toquem em coisas impuras” (2Co 6:17). Separar-se aqui não é se isolar do mundo, mas decidir: “Eu pertenço a Deus. Minha mente, meu corpo e minhas atitudes não vão seguir o padrão das trevas, mas da luz.”
E há uma promessa linda ligada a essa consagração: “Eu os receberei” (2Co 6:17) e “Eu serei seu Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2Co 6:18).
Antes de ir fazer qualquer coisa na viagem missionária, saiba que o Espírito Santo quer fazer uma obra dentro de nós. A MAIOR MISSÃO COMEÇA NO CORAÇÃO. Não adianta falar do amor de Deus com os lábios e estar preso, por dentro, a coisas que entristecem o Espírito. Deus não procura missionários perfeitos, mas missionários que se arrependem, se consagram e se dedicam à santidade.
A pergunta, então, não é só “estou pronto para viajar?”, mas “meu coração está livre para Deus?”. Que cada um possa fazer uma oração sincera: “Senhor, mostra se há algo a que eu estou preso e que me afasta de Ti. Eu quero me desligar de todo jugo que não vem do Senhor. Purifica meu coração e usa minha vida para que eu leve a Tua luz onde houver trevas.”
Autor: PH Rangel
Categoria: santidade